Cunha renuncia para tentar evitar cassação
Depois de ter dito inúmeras vezes que não renunciaria à presidência da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) voltou atrás e anunciou, nesta quinta-feira (7), em entrevista coletiva, que protocolou uma carta na Secretaria-Geral da Mesa com seu afastamento do cargo.
Ao ler a carta, Cunha disse que é alvo de perseguição por ter aceito a denúncia que deu início ao processo de impeachment de Dilma Rousseff. "Sofri e sofro muitas perseguições em função das pautas. Estou pagando um alto preço por dar início ao impeachment", disse chorando pela primeira vez na Câmara.
Para a deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), a renúncia é mais tentativa do governo interino de Temer e dos aliados de Cunha de salvarem o mandato do ex-presidente afastado. “Temos acompanhado as inúmeras tentativas do governo Michel e da maioria desta Casa de achar uma forma de salvar Cunha. Mas não se explica que uma pessoa com tamanha comprovação dos atos ilícitos esteja livre, solta. A gente tem que estar com pé atrás. Só quando esta Casa abrir a sessão para cassá-lo e que teremos certeza que a democracia vencerá e o combate à corrupção será efetivamente realizado”, declara.
Já a líder da Minoria na Câmara, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), apesar de ser considerada uma vitória, a renúncia vem tarde, mas não impedirá a cassação do mandato de Eduardo Cunha.
“Ele renuncia à presidência, mas não pode renunciar ao seu mandato, pois tem um processo contra ele. Este é o articulador do governo corrupto de Michel Temer, que tem apresentado uma agenda desastrosa ao Brasil. Espero que sua cassação aconteça na próxima semana para que, de fato, a justiça possa cumprir o seu papel e nós possamos livrar o Parlamento e a política de alguém que não só cometeu atos ilícitos, mas que prestou tantos desserviços ao país”, afirma Feghali.
Com a decisão, a Câmara convocou para a próxima quinta-feira (14), às 16 horas, uma sessão extraordinária para eleger o novo presidente da Câmara para o período remanescente. As candidaturas deverão ser apresentadas formalmente à Secretaria-Geral da Mesa até às 12 horas do dia 14.
O desafio, segundo o líder do PCdoB na Câmara, deputado Daniel Almeida (BA), será impedir que Cunha coloque alguém de sua confiança no cargo. “Precisamos articular forças para impedir que isso aconteça, pois precisamos ter à frente da Câmara alguém comprometido com esta Casa e com os projetos de interesse do país.”




