Líder comunista cobra investigação de assassinato de sindicalista no Pará

Brasília, quarta-feira, 12 de junho de 2019 - 17:46

CONFLITO NO CAMPO

Líder comunista cobra investigação de assassinato de sindicalista no Pará


Por: Christiane Peres*

Esta semana, mais uma liderança rural foi morta a tiros no estado. Carlos Cabral Pereira é o terceiro presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria a ser assassinado pela disputa fundiária.

Reprodução da Internet
Carlos Cabral Pereira foi executado a tiros no Pará

Os conflitos no campo fizeram mais uma vítima esta semana. Carlos Cabral Pereira era presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Rio Maria (STTR) e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras (CTB) do Pará. Ele foi executado a tiros na tarde de terça-feira (11) por homens em uma moto. O ativista já havia sido alvo de um atentado, em 1991, quando também foi baleado em uma emboscada.

O líder do PCdoB na Câmara, deputado Daniel Almeida (BA), cobrou que o governo do Pará investigue e puna os responsáveis pelo assassinato.

“Ele sempre defendeu os trabalhadores rurais. Não é primeira vez que isso acontece no Rio Maria. A família Canuto quase foi dizimada. Queremos cobrar do governo do Pará imediata investigação e punição dos criminosos”, afirmou o parlamentar.

Carlos Cabral Pereira é o terceiro presidente do sindicato a ser assassinado em Rio Maria, cidade conhecida como "A terra da morte anunciada". Pereira teve a vida marcada pela defesa do direito dos trabalhadores rurais na região.

Histórico de mortes

Carlos era ex-genro de João Canuto, primeiro presidente do STTR de Rio Maria e militante do PCdoB, assassinado por pistoleiros em dezembro de 1985. O segundo presidente a ser assassinado foi Expedito Ribeiro, crime ocorrido em fevereiro de 1991. Carlos Cabral presenciou ainda o assassinato de Braz Oliveira, membro da direção do mesmo sindicato no ano de 1990 e, no mesmo ano, viu de perto três filhos de João Canuto: José, Paulo e Orlando serem sequestrados por um grupo de pistoleiros em um bairro de Rio Maria. José e Paulo foram assassinados, e Orlando, mesmo baleado e algemado, conseguiu fugir e sobreviveu.

A impunidade sempre prevaleceu em relação aos crimes ocorridos contra sindicalistas em Rio Maria nas décadas de 1980 e 1990. No caso de João Canuto, o inquérito que investigou o crime levou 8 anos para ser concluído. Mais de 18 anos após o crime, a Justiça conseguiu julgar apenas dois fazendeiros acusados de serem os mandantes dos crimes: Adilson Laranjeira (ex-prefeito de Rio Maria) e Vantuir Gonçalves. Os dois foram condenados a penas de 18 anos e 6 meses de prisão, no entanto nenhum deles foi preso até hoje para iniciar o cumprimento da pena.

Conforme dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), nas últimas quatro décadas foram assassinadas 53 lideranças (sindicalistas, advogados, religiosas e ambientalistas) no Pará. Desse total, 38 mortes ocorreram nas regiões sul e sudeste do estado. Com o assassinato de Carlos Cabral, são agora 39 assassinatos apenas de lideranças na região – o que mostra o alto índice de violência contra trabalhadores e trabalhadoras rurais e suas lideranças nesta região.

Os históricos conflitos pela posse da terra na região se agravaram ainda mais com as decisões do governo Bolsonaro de suspender a tramitação de todos os processos de desapropriação, compra e arrecadação de terras públicas para assentar novas famílias e de incentivar os fazendeiros a se armarem para expulsar famílias sem-terra das propriedades em conflito.

*Com informações da Comissão Pastoral da Terra









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