Por 12 votos contra 8, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou o relatório do deputado Fernando Rodolfo (PL-PE) que recomendava a suspensão do mandato do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) por seis meses, após o bolsonarista ter divulgado vídeo com incitação à violência contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ter exaltado o AI-5.

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) foi um dos que votou contrariamente ao parecer de Rodolfo. Silva defendeu no colegiado a cassação do mandato de Daniel Silveira. Para ele, a gravidade dos atos do parlamentar deveria ter punição máxima.

“O Parlamento não pode renunciar às suas prerrogativas por uma atitude corporativa. O Parlamento não pode terceirizar para a Justiça decisões que nós deveríamos tomar em defesa da democracia. Por isso, insisto que esta Comissão deveria tomar a decisão mais adequada e proporcional aos atos do representado. Não é uma decisão a favor ou contra o governo. É uma decisão a favor do Parlamento, das prerrogativas parlamentares, das instituições da República e da democracia. É isso que me leva a defender a cassação do mandato do deputado Daniel Silveira”, explicou Orlando Silva.

No dia anterior, na discussão da matéria, Orlando já havia solicitado ao relator – ao lado de parlamentares de diversos partidos – que a penalidade fosse revista. No entanto, no entendimento de Rodolfo, a suspensão por seis meses, neste caso, é suficiente. "Seis meses talvez seja pouco para o que ele fez, mas a perda de mandato considero uma medida muito extrema", alegou o relator.

Agora, o parecer segue então para análise do Plenário da Câmara, onde precisa ser aprovado por 257 deputados, em votação aberta.