Enfrentamento do coronavírus exige ações conjuntas, defendem deputados

Brasília, terça-feira, 17 de março de 2020 - 11:26

POLÍTICA

Enfrentamento do coronavírus exige ações conjuntas, defendem deputados


Por: Da Redação

Parlamentares do PCdoB defendem convergência de ações entre Executivo, Legislativo e governos estaduais e municipais para conter propagação do vírus no país e criticam postura de Jair Bolsonaro frente à pandemia.

Divulgação

O avanço do coronavírus tem acendido um alerta vermelho nas instituições e na população brasileira. Apesar do mau exemplo do presidente da República, que participou de manifestação em Brasília no último domingo (15) mesmo estando sob suspeita de contágio, medidas pontuais de prevenção vêm sendo adotadas para evitar a propagação do vírus no país.

Para o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), no entanto, é preciso uma ampla articulação entre os governos federal, estadual, municipal e o Legislativo para encontrar meios de barrar o avanço do vírus e de fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o parlamentar, a postura de Jair Bolsonaro tem sido reprovável.

“Em momentos assim é que fica evidente a importância de um sistema de saúde público e universal, como o nosso SUS. A emergência exige que o teto de gastos para a saúde seja flexibilizado, assim, os investimentos necessários poderão ser feitos para garantir tratamento adequado aos doentes, que tendem a aumentar”, destacou Orlando Silva. “Embora esteja demonstrado que nada de positivo virá do ora presidente, é necessário que haja convergência entre os esforços do Ministério da Saúde, o Legislativo e os governos estaduais e municipais. Estamos entrando em um período que exigirá de todos nós solidariedade e desprendimento”, completou.

O parlamentar lembrou ainda que há diversas outras situações frente as quais o poder público precisará agir para proteger a população, em especial os mais vulneráveis. “Quais medidas serão tomadas para assegurar proteção, por exemplo, à população carcerária e de rua? Como será possível garantir alguma renda àqueles que estão desempregados? Como atuar para que o necessário período de quarentena seja cumprido sem a ampliação do desemprego e das mazelas sociais? É necessário zerar a fila do Bolsa-Família, ampliar os recursos para políticas de assistência social, criar planos emergenciais para evitar que setores sensíveis da economia sucumbam à pandemia”, elencou.

A irresponsabilidade vem do Planalto

Um dia depois de ter ignorado a orientação do Ministério da Saúde do seu governo, Jair Bolsonaro voltou a minimizar a pandemia de coronavírus que o mundo enfrenta. Na segunda-feira (16), o presidente afirmou que a crise mundial “não é isso tudo que dizem”.

Para Daniel Almeida (PCdoB-BA), “é inacreditável o nível de irresponsabilidade que o presidente tem com o povo brasileiro” ao menosprezar a existência do coronavírus. “Uma pandemia que já registra mais de seis mil mortes no mundo todo. É muita irresponsabilidade”, afirmou.

O descaso do presidente também foi alvo de críticas do deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA). O vice-líder do PCdoB na Câmara afirmou que a República está sem presidente e reforçou a necessidade de fortalecimento do SUS.

“Muitíssimo grave a situação do Brasil. Não há comando, estamos sem presidente. Aquele que deveria ser presidente se dedica a propagar o coronavírus e a degradar o ambiente político do país. Bolsonaro emite sinais claros de que aposta no caos. É um irresponsável, reconhecidamente incompetente, capaz de fazer qualquer coisa para instaurar um governo absolutamente autoritário. Precisamos cerrar fileiras na luta para conter o coronavírus que ameaça a saúde de milhões de brasileiros e, ao mesmo tempo, combater o Bolsonaro, esse vírus autoritário, arrogante, antidemocrático que atenta contra a política e a economia do nosso Brasil”, afirmou Márcio Jerry.

Para ele, fortalecer o SUS “é a mais eficaz vacina” para combater a pandemia do coronavírus. “Devia ser a prioridade absoluta do governo federal neste momento tão delicado e grave”, disse.

Reformas?

Desde que a pandemia foi declarada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e a crise econômica se acirrou, o governo brasileiro reforçou o discurso da necessidade das reformas. Na última semana, o ministro da Economia, Paulo Guedes, ao apresentar medidas para conter a crise no setor de saúde, afirmou que “essa crise é passageira. O problema do Brasil é muito mais profundo. O Brasil está há décadas desacelerando o crescimento, é hoje uma economia estagnada. Não está conseguindo investir” e voltou a defender as reformas ditas estruturais.

Dias depois, sob pressão, Guedes amenizou o discurso de que as reformas são a principal resposta ao coronavírus e anunciou as primeiras medidas imediatas para combater os efeitos da pandemia à atividade do país.

A líder do PCdoB na Câmara, deputada Perpétua Almeida (AC), manteve a crítica ao plano de Guedes. “Entre as medidas anunciadas por Guedes para barrar o coronavírus, está a privatização da Eletrobras. Enquanto isso, a maioria dos países anuncia a suspensão de pagamento das contas de energia, água e outras necessidades diárias. Estamos aprendendo da pior forma. O coronavírus desmonta tese do “Estado mínimo”, pois prova que só o Estado no controle enfrenta essa pandemia”, destacou.

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) também engrossou o coro contra as medidas do ministro. “Enquanto países mundo afora tomam medidas para conter os impactos da pandemia de coronavírus, no Brasil, o governo quer priorizar "reformas" e defende o teto de gastos, que retirou recursos para a saúde pública. Governo irresponsável e criminoso”, destacou.
 









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