Regina Duarte sai da Cultura sem deixar legado para o setor

Brasília, quarta-feira, 20 de maio de 2020 - 14:3      |      Atualizado em: 22 de maio de 2020 - 17:42

POLÍTICA

Regina Duarte sai da Cultura sem deixar legado para o setor


Por: Christiane Peres

Atriz pediu para sair do governo para “ficar perto da família” e deve assumir comando da Cinemateca, em São Paulo. Durante sua gestão, setor continuou abandonado e acumulou críticas da categoria. Para deputados do PCdoB, ao assumir o cargo, Regina Duarte só se desmoralizou e, ao sair, não deixou ações efetivas para a classe artística.

Reprodução da Internet
Regina Duarte e Bolsonaro gravam vídeo para anúncio da saída da atriz da Pasta

Regina Duarte deixou a Secretaria de Cultura do governo Jair Bolsonaro nesta quarta-feira (20), menos de três meses depois de ter assumido o cargo. O anúncio foi feito pelo presidente Jair Bolsonaro em sua conta no Twitter, após encontro com a atriz. Segundo ele, Regina “pediu para ficar mais perto da família” e, portanto, assumirá a Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

A nova baixa no governo Bolsonaro foi comentada pelos deputados do PCdoB. Para a líder da legenda, deputada Perpétua Almeida (AC), Regina Duarte se foi “sem nunca ter sido”, numa crítica à falta de ações da atriz no período que comandou a secretaria.

“Regina Duarte se foi. Sim, ela mesma, aquela que foi sem nunca ter sido. Durou só um pouquinho mais do que o ex-ministro Teich, da Saúde. Bolsonaro é o caos e assim segue seu governo”, afirmou a parlamentar.

A deputada Alice Portugal (BA) lembrou que o “casamento” com o governo Bolsonaro não durou três meses e afirmou que a atriz sai sem deixar um legado para a categoria.

“O casamento não durou nem três meses e a Cultura agradece pelo fim. Regina Duarte não deixa nenhum legado, nenhuma contribuição, muito pelo contrário. Estamos sem Secretaria de Cultura, sem Ministério da Saúde, sem presidente, sem rumo e no meio de uma pandemia! O Brasil não merece esse governo”, criticou.

Em sua passagem relâmpago pela Secretaria de Cultura, Regina Duarte não apresentou propostas para o setor e acumulou críticas dos seus pares, que além de apontar o descaso com a classe, chegaram a repudiar manifestações da então gestora, como no caso da entrevista à CNN, onde Regina minimizou a ditadura militar e as mortes pela pandemia de Covid-19.

“O pior papel da vida da atriz Regina Duarte. Na vida real, desempenho de pateta, idiota, de cúmplice dessa nojeira que é o esquema Bolsonaro”, apontou o deputado Márcio Jerry (MA).

Já o deputado Orlando Silva (SP) afirmou que Regina Duarte “se meteu num covil, num serpentário”. “Só conseguiu se desmoralizar e arruinar a carreira. Que sirva de lição para quem cria corvos. Que humilhação!”, apontou.

Para a deputada Jandira Feghali (RJ), a passagem da atriz pela Pasta “que lida com valores, ações e obras tão fundamentais da humanidade” foi “lamentável”. Jandira é relatora na Câmara de um plano emergencial para a Cultura durante a pandemia de coronavírus (PL 1075/2020).

A proposta surgiu diante da falta de proposições da então secretária especial da Cultura para salvar o meio artístico em meio à pandemia. Artistas foram buscar apoio no Congresso para aprovar uma proposta que apoie a classe e o texto deve ser votado nas próximas semanas.

A proposta relatada por Jandira reúne quatro projetos que estavam em tramitação. Entre outras coisas, o plano estabelece auxílios para artistas, repasses de R$ 10 mil para centros culturais e modificações nos prazos de prestação de contas, pagamento de tributos, além da concessão de crédito a juro zero e com prazo de até três anos para pagamento. Há ainda um plano para a descentralização dos recursos, ou seja, repasse direto para as secretarias de Cultura de estados e municípios. A expectativa é que o mérito do texto seja votado nesta quinta-feira (21).

O deputado Daniel Almeida (BA) observou que a demissão de Regina Duarte se dá justo na semana que o Parlamento se mobiliza para votar o texto em apoio à classe artística.

“Logo na semana em que estamos mobilizados na luta pela aprovação da Lei da Emergência Cultural, Bolsonaro resolve fazer mais uma mudança na Secretaria de Cultura. Estamos enfrentando uma crise sem precedentes e Bolsonaro nada faz para combatê-la”, afirmou.









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