Brasília, terça-feira, 3 de maio de 2022 - 19:39
DIREITOS HUMANOS
Grupo de Trabalho irá acompanhar denúncias de violência contra os Yanomami
Por: Christiane Peres
Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara aprovou requerimento para criação do grupo. Para deputada Perpétua Almeida, uma das autoras do pedido, GT “é resposta mínima necessária da Câmara contra os ataques sofridos pelos povos indígenas”.
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara (CCJ) aprovou, por unanimidade, nesta terça-feira (3), a criação de um grupo de trabalho para apurar as denúncias de violência contra o povo Yanomami. A decisão ocorreu após relatos de que uma menina da etnia teria sido estuprada e morta por garimpeiros na comunidade Aracaçá, no estado de Roraima. Uma segunda criança, de 3 anos, teria se afogado durante o ataque.
O requerimento foi apresentado pela deputada Joênia Wapichana (Rede-RR) e outros 16 parlamentares do PCdoB, PT, PSol, PDT e PSB.
Para a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), uma das autoras do pedido, a criação do GT é uma resposta minimamente necessária da Câmara diante dos ataques sofridos pelos povos indígenas.
“O governo Bolsonaro tem sido conivente com os fora da lei. E quem não respeita a legislação também não respeita os povos indígenas. Essa é uma resposta necessária da Câmara dos Deputados, que precisa se levantar e dizer que não concorda com isso que está acontecendo. Com este grupo, o Parlamento pode fazer visitas in loco, ouvir as comunidades indígenas para entender o nível de terror vivido pelos Yanomami. O GT pode ainda fazer levantamento de toda essa situação para ter informações e pedir punição aos responsáveis”, explicou Perpétua.
A parlamentar reforçou que os Yanomami – assim como todos os povos indígenas – têm o direito de viver em seu território sem invasões e ameaças.
“A Constituição é muito clara quando coloca o governo federal como responsável pelos indígenas e pelas terras indígenas no Brasil. O que estamos vendo é um verdadeiro ataque de garimpeiros que querem assustar as populações indígenas para que elas possam sair e deixar o espaço para eles. E isso tudo acontece sem que tenha sido aprovada a mineração dentro de terra indígena. Imagina levar o garimpo para dentro? Seria uma tragédia sem fim. É preciso investigar e punir severamente os responsáveis pelo o que está acontecendo na terra dos Yanomami. Eles têm o direito de estar na sua terra, viver em paz sem ter um rio contaminado por mercúrio, ter a liberdade de caçar sem serem ameaçados, andar no rio com tranquilidade”, afirmou a parlamentar.
Os deputados que assinam o requerimento aprovado na CCJC, afirmam que o aumento da violência contra o povo Yanomami é “gravíssimo” e que a comissão tem o dever de monitorar como estão sendo desenvolvidas as ações governamentais para os povos indígenas.
Os parlamentares têm acompanhado lideranças indígenas em reuniões com as autoridades competentes para apurar a situação, mas com “resultados pouquíssimos efetivos”, destaca o requerimento.
“As graves denúncias acumuladas e as solicitações para que os crimes fossem enfrentados à altura do problema foram reiteradas, assim como a necessidade de o Governo Federal ter um plano de fiscalização e monitoramento da terra indígena. Diante de toda essa escalada de violência, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados tem o dever de monitorar como estão sendo desenvolvidas as ações governamentais para esses povos”, conclui o requerimento aprovado.
Na segunda-feira (2), a Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal aprovou a realização de uma diligência externa em Roraima para acompanhar as medidas de combate ao avanço do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. A previsão é que a visita ocorra no próximo dia 12.
A Polícia Federal foi até a região e disse não ter encontrado indícios do assassinato e nem da morte por afogamento da segunda criança. O local estava vazio e queimado quando a equipe chegou. A investigação continua.
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