Ausência de Dallagnol em debate é criticada por deputados

Brasília, terça-feira, 10 de setembro de 2019 - 15:29      |      Atualizado em: 17 de setembro de 2019 - 9:19

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Ausência de Dallagnol em debate é criticada por deputados


Por: Christiane Peres

Procurador enviou justificativa à Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público e fugiu, pela segunda vez, de questionamentos sobre as trocas de mensagem com o então juiz Sergio Moro e outros integrantes da Operação Lava Jato.

Richard Silva/PCdoB na Câmara
Rogério Correia troca placa de identificação de Deltan Dallagnol para "Dallagnol fujão"

A ausência do procurador da República Deltan Dallagnol, chefe da Força-Tarefa da Operação Lava Jato no Paraná, em debate realizado nesta terça-feira (10), na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara foi criticada por deputados da esquerda.

“É a segunda vez que ele simplesmente se recusa a prestar esclarecimento ao Parlamento brasileiro. E nós não temos instrumentos para convocá-lo, pois não é ministro. Isso exige de nós uma atitude”, afirmou a líder da Minoria na Câmara, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), em referência à possível criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso.

Para o deputado Márcio Jerry, vice-líder do PCdoB na Câmara, Deltan fugiu da audiência para não encarar as acusações que pesam sobre ele. “O Dallagnol fugiu de novo. Quem deve, teme! Ele deve explicações ao Ministério Público, ao Congresso e ao povo brasileiro, já que cometeu graves irregularidades. Isso não pode ficar impune”, criticou o parlamentar.

"Deltan deveria estar aqui para explicar sua versão", insistiu a presidente da CTASP, deputada professora Marcivânia (PCdoB-AP).

O procurador foi convidado para debater as reportagens do site The Intercept Brasil e seus parceiros, que, há três meses, vêm noticiando o uso político da Operação Lava Jato, após recebimento de uma série de trocas de mensagens entre Dallagnol, o então juiz Sergio Moro e outros integrantes da operação que deveria combater a corrupção no país.

Em sua justificativa, Dallagnol afirmou que sua função é técnica e, portanto, não teria condições de participar de um debate de cunho político.

“Tenho como função constitucional desempenhar trabalho de natureza técnica perante o judiciário. Esse trabalho consiste em investigar fatos e buscar a aplicação da lei penal de modo eficiente e justo de acordo com a Constituição e as leis. Diante disso, agradeço o convite, mas devo concentrar na esfera técnica minhas manifestações sobre mensagens de origem criminosas e que vêm sendo usadas para atacar a Operação Lava Jato”, escreveu Dallagnol na mensagem que foi lida pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), requerente da audiência.

Após a leitura da justificativa, Correia trocou a placa de identificação do procurador, onde estava escrito “Dallagnol fujão”. Esta é a segunda vez que ele falta a convites de audiência pública na Câmara para tratar do tema.

Também convidado para o debate, o editor executivo do site The Intercept Brasil, Leandro Demori, lamentou a ausência do procurador. “Lamentavelmente Deltan não veio. Queria confrontar versões com ele”, afirmou o jornalista.
 









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