“Não é com agressão que a gente vence as divergências”, afirma representante da UNE

Brasília, quarta-feira, 29 de maio de 2019 - 11:50      |      Atualizado em: 3 de junho de 2019 - 9:46

EDUCAÇÃO

“Não é com agressão que a gente vence as divergências”, afirma representante da UNE


Por: Christiane Peres

Comissão do Trabalho recebe representante da União Nacional dos Estudantes (UNE) para tratar dos cortes da educação após tratamento violento em audiência com ministro Abraham Weintraub.

Richard Silva/PCdoB na Câmara

Na última semana, um ato de violência na Câmara dos Deputados repercutiu no país. Em uma audiência com o ministro da Educação, Abraham Weintraub, os presidentes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) foram agredidos por parlamentares da base do governo e por policiais ao terem a palavra concedida pela presidente da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP), Professora Marcivânia (PCdoB-AP) no final da reunião.

A ação causou grande tumulto e encerrou a audiência que deveria tratar dos cortes orçamentários na área. Para dar oportunidade às entidades estudantis se manifestarem, após a tentativa governista de calar a voz dos estudantes, a CTASP recebeu nesta quarta-feira (29), a diretora de Relações Institucionais da UNE, Bruna Brelaz.

“Na semana passada, esta comissão, junto com a Comissão de Educação, se reuniu com o ministro da Educação para tratar dos cortes orçamentários na Pasta. Infelizmente, muitos acompanharam o desfecho da reunião. No momento em que declaramos que a UNE teria voz houve uma manifestação bastante antidemocrática e grosseira que resultou no encerramento da reunião. Lamentamos isso. Não deveria haver um desfecho dessa forma nessa Casa, que é de diálogo, onde se debatem ideias. Por isso, decidimos dar espaço à UNE hoje para que ela possa falar sobre os cortes na Pasta. A UNE aqui sempre terá voz”, afirmou a deputada Professora Marcivânia.

A dirigente da UNE lamentou o episódio da última quarta-feira (22). Segundo Bruna, a imagem que repercutiu foi a de violência contra os estudantes. “Foi uma resposta ruim do governo de não aceitar a oportunidade de escutar os estudantes. Não é com agressão que a gente vence as divergências”, pontuou.

Bruna Brelaz afirmou ainda que a UNE tem se preocupado com as ações do governo Bolsonaro. “São tentativas de desmontar as universidades, seja em seu orçamento, na liberdade de cátedra, em ações policiais dentro das universidades. Isso é inadmissível. Defendemos uma educação pública e de qualidade, a autonomia universitária, a liberdade de cátedra, a ciência e a tecnologia e o desenvolvimento nacional. Só investindo mais em educação nós teremos desenvolvimento na nossa nação”, afirmou.

Deputados comunistas presentes à reunião da CTASP lamentaram o ocorrido na última semana e a incapacidade do governo de dialogar. “A intolerância é inimiga da democracia. É lamentável que o governo não consiga ouvir, dialogar. O governo brasileiro não é monopólio de um partido ou do presidente eleito, ele deve expressar representar o conjunto da sociedade, não apenas uma facção. Eu não conhecia o atual ministro, até porque ele é uma personalidade irrelevante do ponto de vista científico, cultural. É um personagem ignorado até pela universidade onde dava aula. Mas confesso que fiquei surpreso com sua boçalidade. Além de incapaz é um boçal, que não está à altura do cargo que ocupa”, disse o parlamentar em referência à atitude do ministro na audiência que acabou em tumulto.

Quando perguntado pela presidente da CTASP se gostaria de ouvir os estudantes, Weintraub foi categórico ao afirmar que não tinha motivos para ouvir os representantes da UNE e da Ubes, pois eles não haviam sido eleitos. O episódio foi o início do tumulto que culminou no encerramento da audiência, com Weintraub saindo escoltado enquanto estudantes eram agredidos verbalmente por governistas.

Para a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), a CTASP “cresce aos olhos da sociedade ao dar voz à UNE”. “A UNE é a voz dos estudantes e é importante ouvi-los. Temos clareza de que levar as universidades à falência é levar à falência o futuro do país. Por isso, temos que lutar pela educação”, afirmou a parlamentar.

Na próxima quinta-feira (30), entidades estudantis estão convocando nova mobilização em defesa da educação. A expectativa é que o ato seja ainda maior dos que aconteceram no dia 15 de maio.









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