Após liberdade, Lula promete percorrer o país

Brasília, sexta-feira, 8 de novembro de 2019 - 19:39

POLÍTICA

Após liberdade, Lula promete percorrer o país


Por: Iram Alfaia

Ex-presidente faz discurso emocionado, reafirma defesa da democracia e diz que percorrerá o país. Comunistas celebram liberdade de Lula.

Gibran Mendes

Ao deixar a sede da Polícia Federal em Curitiba (PR) nesta sexta-feira (8), onde ficou preso por 580 dias após uma condenação sem provas no processo do tríplex do Guarujá (SP), o ex-presidente Lula disse que vai percorrer o país para discutir com a população soluções para graves problemas como o desemprego e o aumento da pobreza.

“Eles não têm coragem de conversar com o povo, tanto que Bolsonaro mente pelo Twitter”, disse Lula de um palco na Vigília Lula Livre, acampamento que foi erguido desde o primeiro dia da sua prisão.

Lula chegou ao local passando por um corredor humano. “Vocês não têm noção do que representaram para mim. Eu fiquei mais fortalecido. Eu fiquei mais corajoso”, disse o ex-presidente, que leu os nomes dos integrantes do acampamento em agradecimento.

Referindo-se a eles, disse que deixava o local “com o maior sentimento de agradecimento que um ser humano pode ter por outro.”

Lula não poupou adversários como o ministro da Justiça, Sergio Moro, e o procurador Deltan Dellagnol.

“Eu quero que vocês saibam que o lado mentiroso da PF, que fez inquérito contra mim, o lado mentiroso e canalha do Ministério Público, da parte da força-tarefa (Lava Jato) e do Moro, eles têm que saber que não prenderam um homem, eles tentaram matar uma ideia e uma ideia não se mata, não desaparece”, discursou.

Lula disse que foi vítima de “um bando de mafiosos”, liderado pela Rede Globo, que tentou criminalizar sua imagem, chamando-o de bandido, além da imagem dos partidos de esquerda, sobretudo do PT.

“Se pegar o Dallagnol, o Moro, alguns delegados que fizeram inquérito contra mim, enviar um dentro do outro e colocar no liquidificador, o que sobrar não dá 10% da honestidade que eu represento neste país”, afirmou.

Lula anunciou que após o encontro que ocorrerá neste sábado (9), no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, onde fará um discurso à nação, vai percorrer o país.

Disse que assistiu na tevê os dados do IBGE que apontam o aumento da miséria no país. “Depois que eu fui preso, que roubaram o Haddad (Fernando, candidato do PT à Presidência), o Brasil não melhorou: o povo está passando mais fome, o povo está desempregado, o povo não tem mais trabalho com carteira assinada, o povo está trabalhando de Uber, entregando pizza de bicicleta, não vai ter aumento do salário mínimo nos próximos dois anos e um ministro grosseiro da Educação quer destruir as universidades”, pontuou.

Lula Livre

A liberdade do ex-presidente foi possível depois do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubar a prisão após condenação em segunda instância ao julgar ações de constitucionalidades movidas pela OAB, PCdoB e Patriota.

Com base nessa decisão e a pedido da defesa, o juiz titular da 12ª Vara de Execuções Penais, Danilo Pereira Júnior, autorizou a imediata soltura dele.

Para a presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos, a liberdade de Lula é a reafirmação da democracia no país.

“Nesse momento, nós estamos afirmando a democracia, todos os direitos que foram negados a Lula, e que são direitos de todos os cidadãos, para que ele pudesse ter um julgamento justo. Ele não foi inocentado, mas pode, a partir de agora, ter um julgamento justo. Ele é a expressão de um momento muito feliz no Brasil, em que se afirmou um projeto de nação, onde atingimos patamares elevados de emprego, houve enfrentamento da desigualdade regional, onde a população viveu tempos de bonança. Esse é o legado. Estamos vivendo numa visão antagônica ao que já tivemos. A agenda de Bolsonaro é de entrega e retirada de direitos. Para Paulo Guedes [ministro da Economia] parece que crescimento é palavra feia. Esta é uma vitória do Estado democrático de direito e do devido processo legal”, celebrou.

O ex-presidente foi preso no dia 7 de abril do ano passado, condenado pelo então juiz Sergio Moro no processo do tríplex do Guarujá (SP). Segundo diálogos revelados pelo The Intercept Brasil, Moro agiu em conluio com os procuradores da Lava Jato para prender Lula. A condenação ocorreu em segunda instância e depois confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Com a prisão, Lula foi impedido de se candidatar à Presidência da República, o que favoreceu a vitória de Jair Bolsonaro. Moro assumiu a pasta do Ministério da Justiça.

Vitória da democracia

Deputados do PCdoB comentaram a libertação do ex-presidente. Segundo o líder da bancada na Câmara, Daniel Almeida (BA), a libertação de Lula “representa não só a vontade do povo, mas a ética e a responsabilidade que a justiça brasileira tem com a Constituição que nos rege”. “Momento histórico para a nossa democracia!”, escreveu no Twitter.

A deputada Alice Portugal (BA) também enalteceu a vitória da democracia, mas lembrou que é preciso reforçar o combate aos desmandos do governo Bolsonaro. “Quero convocar o nosso povo a defender a soberania nacional, impedir as privatizações, quer seja do pré-sal, das empresas de saneamento, Eletrobras, das universidades”, disse.

“A força de Lula é contagiante, ele se reenergiza nos braços do povo. A democracia e o Estado Democrático de Direito tiveram uma vitória histórica”, avaliou o deputado Orlando Silva (SP).

O deputado Renildo Calheiros (PE) pontuou: “Justiça foi feita e seguiremos na luta pelo Brasil”.

A líder da Minoria, deputada Jandira Feghali (RJ), postou em suas redes sociais que viajará para São Paulo, a fim de participar da manifestação prevista para este sábado (9) em São Bernardo do Campo.









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