Após derrota no Senado, governo recua e adia Enem

Brasília, quarta-feira, 20 de maio de 2020 - 17:9

EDUCAÇÃO

Após derrota no Senado, governo recua e adia Enem


Por: Iram Alfaia

Rodrigo Maia só aguarda um comunicado oficial de Bolsonaro ou vai votar nesta quarta-feira (20) o projeto da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) pelo adiamento do exame.

Reprodução da Internet

Numa votação considerada histórica, o Senado assegurou nesta terça-feira (19) uma derrota acachapante ao governo Bolsonaro e ao seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, que mantinha uma posição inflexível com relação 'a manutenção da data das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Por 75 votos favoráveis e apenas um contra, do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, os senadores suspenderam a realização das provas do Enem para depois da pandemia.

Na Câmara dos Deputados, onde o clima é o mesmo, o presidente daquela Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), só aguarda um comunicado oficial de Bolsonaro ou vai votar nesta quarta-feira (20) o projeto da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) pelo adiamento do Enem.

Alice Portugal diz que não se pode marcar uma data para realização das provas sem a superação dos efeitos da pandemia.

“O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) anunciou o adiamento do Enem, mas continuaremos na luta pela aprovação do meu projeto. Não podemos prever uma data de adiamento sem a superação total dos efeitos da pandemia. 30 ou 60 dias não são suficientes. A rede escolar está parada desde março”, justificou a deputada Alice.

Para ela, adiar o Enem é uma questão de justiça social. “A aprovação do projeto no Senado na noite de ontem é uma vitória para os estudantes brasileiros. Vamos somar forças para garantir que nenhum estudante brasileiro seja prejudicado. É o Senado e a Câmara juntos pelo #AdiaENEM”, escreveu no Twitter.

Na avaliação da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) a aprovação no Senado do texto que pede o adiamento do Enem é mais um passo na defesa de uma justa seleção a todos os estudantes brasileiros durante a pandemia.

“Tem também o PL de @Alice_Portugal na Câmara. Vamos em frente, com ou sem voto de Flávio Bolsonaro contra. Adia Enem!”, postou no Twitter.

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) mandou um recado para o ministro Weintraub: “É um homúnculo mesmo. Como humano, consegue ser mais rasteiro que como ministro. Após ser derrotado de forma humilhante, só com o voto do Flávio Rachadinha, você é obrigado a aceitar o clamor de milhões de estudantes. #AdiaEnem Valeu a luta”, comemorou no Twitter.

Vitória simbólica e representativa

O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iago Montalvão, classificou a vitória no Senado como simbólica e representativa.

“Não só do ponto de vista do adiamento do Enem em si, mas foi uma derrota política do governo”, afirmou o presidente da UNE.

Ele disse também que a votação demonstrou que se tratava de uma questão sensível para a sociedade e, ao mesmo tempo, revelou um despreparo e desarticulação do ministro da Educação.

Iago ainda criticou a proposta do adiamento por 30 ou 60 dias. “Na verdade, é uma tentativa deles de não saírem tão derrotados assim. Estão tentando criar um mecanismo para reduzir danos”, disse.

O líder estudantil defendeu a realização dos exames logo após o encerramento do ano letivo. “Aí um grupo de professores, secretários (de educação), estudantes e reitores decidem para quando vai”, finalizou.
 









Últimas notícias

Notícias relacionadas

Sobre nós
Contatos

Área Restrita
Login
Liderança do PCdoB na Câmara dos Deputados
Praça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados, anexo II, sala T-12
Brasília-DF - 70160-900 - Telefone: 55 (61) 3215-9732
ascompcdobcd@gmail.com