Um debate necessário

Brasília, segunda-feira, 2 de março de 2020 - 9:43

OPINIÃO

Um debate necessário


Por: Jandira Feghali*

Pelos corredores, plenários de comissões, auditórios e no Plenário Ulysses Guimarães, 77 deputadas federais hoje exercem seus mandatos. Um universo de 15%, para um país onde 51% do eleitorado é composto por mulheres, faz do Brasil uma das piores nações em termos de representatividade política feminina, ocupando o terceiro lugar na América Latina em menor representação parlamentar de mulheres. Esses são dados do Inter-Parliamentary Union, que ainda registra que a nossa taxa é de aproximadamente 10 pontos percentuais a menos que a média global e está praticamente estabilizada desde a década de 1940.

Muitos são os obstáculos enfrentados pelas mulheres ao optar pela vida pública e, as que alcançam este objetivo, encontram um ambiente por vezes hostil à sua atuação. Estudos apontam que, no Brasil e em vários outros países, candidaturas femininas a cargos públicos são desestimuladas e, mesmo quando conseguem ultrapassar os obstáculos e são eleitas, lhes são impostos limites para o exercício de seus mandatos. São casos de violência política de gênero.

Dentro e fora dos parlamentos, a atividade política sempre foi entendida como afeita aos homens. O caminho foi aos poucos se abrindo para garantir tal participação às mulheres, mas para que o avanço se dê com mais vigor é preciso, antes de tudo, respeitar e valorizar a participação das mulheres na política.

Respeitar significa garantir que os espaços políticos recepcionem homens e mulheres em igualdade de condições e oportunidades. Valorizar implica em reconhecer a importância da participação das mulheres na idealização, construção e execução de políticas públicas que considerem as questões sob a perspectiva de ser mulher. O recorte de gênero deve transversal nas políticas de todas as áreas. Mais do que isso, pressupõe que a sociedade compreenda que homens e mulheres são diferentes do ponto de vista biológico, mas devem ser iguais em direitos. Para isto, políticas afirmativas são necessárias para superar a desigualdade, que é explícita em todos os dados que possamos pesquisar.

O cenário existente nos leva a uma importante reflexão. Não são raros os casos em que as mulheres são alvo de ofensas, fakenews e até agressões, verbais e físicas. Isso é um sintoma que merece a atenção de todos. É preciso combater a desinformação e esclarecer que não há sociedade democrática enquanto a maioria da população, que é feminina, vive inferiorizada, discriminada e agredida decorrente do machismo e do racismo estruturais.

Em 2020 teremos eleições municipais e o mês de março, quando comemoramos o Dia Internacional da Mulher, cumpre um papel importante no sentido de apontar, com força, a luta contra a violência política de gênero. Garantir que a opção pela vida pública seja uma realidade para todas que optarem por candidaturas. Garantir que as mulheres que almejam ocupar espaços nas câmaras municipais e à frente das prefeituras possam exercer esse direito com segurança e dignidade. Que tenham voz. E que suas vozes ecoem livremente sem que sejam ameaçadas, intimidadas ou caladas. E que, a cada ano eleitoral, mais mulheres se somem para ocupar espaços de representação política. Sempre com igualdade de condições para contribuir no avanço da legislação, nas políticas de governo e de Estado. Só assim teremos uma sociedade que se aproxima da real democracia!

*Jandira Feghali é deputada federal (PCdoB/RJ) e relatora da Lei Maria da Penha.









Últimas notícias

Notícias relacionadas

Sobre nós
Contatos

Área Restrita
Login
Liderança do PCdoB na Câmara dos Deputados
Praça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados, anexo II, sala T-12
Brasília-DF - 70160-900 - Telefone: 55 (61) 3215-9732
ascompcdobcd@gmail.com