Centrais e Oposição lutam por adiamento da reforma

Brasília, terça-feira, 25 de junho de 2019 - 16:20

POLÍTICA

Centrais e Oposição lutam por adiamento da reforma


Por: Iram Alfaia

Por avaliarem que vários pontos do relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), apresentado na Comissão Especial da Câmara que analisa a Reforma da Previdência, são extremamente prejudiciais aos trabalhadores, os partidos de Oposição junto com as centrais sindicais marcaram posição contra o texto e ainda vão trabalhar pelo adiamento da votação para o segundo semestre.

Richard Silva/PCdoB na Câmara

Nesse período, eles querem convencer os deputados, sobretudo dos partidos do chamado Centrão, a votar contra a proposta ou no mínimo retirar os pontos prejudiciais aos trabalhadores.

Essa foi a tônica da reunião organizada pela Liderança da Minoria com os representantes dos partidos políticos e todas as centrais sindicais nesta terça-feira (25), na sala de líderes da Câmara dos Deputados.

Depois do encontro, os representantes dos trabalhadores participaram de outra reunião com os líderes do Centrão.

“Nosso posicionamento é unânime contra o relatório. Na votação, nós vamos obstruir. Apresentaremos os nove destaques a que temos direito”, avisou a líder da Minoria, Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Apesar do avanço da retirada da proposta do regime de capitalização, que na prática acabaria com a Previdência pública, a líder da Minoria diz que o texto se manteve muito cruel para os trabalhadores.

Outro problema apontado pela líder é o benefício não programado, ou seja, o que não representa aposentadoria por velhice ou morte. “Todos eles do regime geral não estão com nenhuma cobertura podendo ser privatizados”, diz.

Segundo ela, ainda tem o problema do trabalhador rural que só poderá ser aposentar com 60 anos. Além disso, citou a privatização da previdência completar dos servidores públicos, que está abertamente privatizada no texto, e ainda o abono salarial abaixo de um salário mínimo que está constitucionalizado.

“O texto é muito ruim, impossibilita alcançar a aposentadoria”, disse Jandira Feghali ao fazer referência ao cálculo do benefício. O relator acolheu a regra de cálculo do governo que corresponde a 60% da medida dos salários de contribuição mais 2% para cada ano de contribuição.

Segundo o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, presente à reunião, a nova fórmula reduz o valor do benefício por dois motivos: a média será rebaixada por incluir todos os salários a partir de 1994, sem preservar os 20% dos menores valores; e não assegura os 100% dessa média, exceto para os que atingirem os 40 anos de contribuição.

“Nossa opinião é que esse documento reforça profundamente um abismo social. O texto carrega proposta que vão dificultar por demais o acesso a aposentadoria seja com o fim do tempo de contribuição, seja com a idade mínima, que é muito amarga para homens e mulheres”, disse o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo.

As entidades programam realizar ainda grande manifestação em Brasília neste mês para pressionar os parlamentares. A mobilização na base dos deputados também será intensa com abordagens nas ruas e nos aeroportos.

Unidade dos partidos

O vice-presidente nacional do PCdoB, Walter Sorrentino, elogiou o encontro que demonstrou a unidade de ação das centrais e da Oposição na Câmara dos Deputados. Segundo ele, essa reforma invoca um pacto social que está sendo desmontado e “só vai agravar o esgarçamento da sociedade brasileira já polarizada política e socialmente”.

Sorrentino afirmou que a reforma está sendo feita sob um mantra falso pelo qual se diz que ela é fundamental para os investimentos privados. Na sua opinião, isso só vai acontecer caso haja investimento público.

A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmamn (PR), diz não ter dúvidas de que os avanços até agora obtidos nessa luta contra a Reforma da Previdência se devem a mobilização dos trabalhadores, a exemplo da greve do último dia 14. Ela propôs que os nove destaques a serem apresentados sejam construídos junto com as centrais.

O líder do PDT na Câmara dos Deputados, André Figueiredo (CE), prevê uma luta muita intensa dos partidos e das centrais contra a reforma. Ele diz o relatório apresentado é muito prejudicial.

“Há pontos muito graves como a desconstitucionalização e dispositivos remitidos à lei ordinária. Fizemos um levantamento e encontramos 21 pontos que estão sendo desconstitucionalizados”, alertou.
 









Últimas notícias

Notícias relacionadas

Sobre nós
Contatos

Área Restrita
Login
Liderança do PCdoB na Câmara dos Deputados
Praça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados, anexo II, sala T-12
Brasília-DF - 70160-900 - Telefone: 55 (61) 3215-9732
ascompcdobcd@gmail.com